Já faz alguns meses que a Marvel resolveu mandar às favas todas as cagadas que vinham sendo feitas há anos com o Homem-Aranha e recomeçar tudo do zero, ou quase. E isso, como qualquer grande decisão envolvendo personagens de quadrinhos conhecidos hoje em dia, causou uma grande choradeira por parte de fãs pela internet afora.
O motivo dessa vez foi o modo encontrado pela editora para fazer o reboot. Com a tia May no hospital, como resultado direto da idéia (totalmente fora de personagem) de girico que Peter teve de revelar sua identidade para o mundo, Peter parte pelo mundo em busca de uma cura. Apesar de ir atrás de gente que desafia a morte toda semana, ninguém consegue ajudar o cara, e ele acaba recorrendo ao demônio Mefisto. Este lhe propõe uma troca: sua tia pelo seu casamento. Depois de algum drama, ele e Mary Jane aceitam e Mefisto faz com que todos esqueçam tudo que vinha empatando as histórias do herói nesses últimos anos: casamento, indentidade revelada, teias orgânicas, origens místicas pros poderes e uma série de outras péssimas idéias.
Agora, é verdade que essa história que eu descrevi acima, chamada One More Day, é ruim. Pacto com o demônio? O pior é a explicação do porque o tal demônio quer o casamento, e não a alma dele (não vou contar pra não me desviar do assunto). Mas isso não importa. O que importa é o que vem depois, o evento chamado Brand New Day.
Esse é o reboot em si, é o resultado da mágica de Mefisto. Com isso, temos Peter novamente solteiro, com problemas de grana e de mulher, sem (até agora) estar envolto em sagas absurdas. E isso, pra mim, valeu aguentar a história tosca anterior. Eu não entendo como existe gente que só por causa disso não consegue apreciar as histórias que vieram depois. Se qualquer coisa tosca numa cronologia impossibilita você de ler o que vem depois, acho que quadrinhos não são pra você. Pior ainda é quem diz “qualidade não, eu quero cronologia”. O que dizer pra um sijeito desses?
Enfim, logo após One More Day o Aranha passou a ter apenas um título nos EUA, Amazing Spider-Man. Ele sai agora três vezes por mês, cada mês com uma equipe criativa diferente. Até agora a qualidade está bem satisfatória.

O primeiro mês foi de Dan Slott e Steve McNiven, uma dupla difícil de ser superada. McNiven é um de meus artistas favoritos hoje em dia e Slott é um roteirista e tanto. Essa história serviu para situar todo mundo no mundo do Aranha de hoje em dia. Trouxe de volta Harry Osborn, um personagem que estava fazendo falta, colocou Peter de volta ao Clarim e definiu o tom do que está por vir. Muito divertido, coisa que o Aranha havia deixado de ser há um tempo.

No segundo mês foi a vez de Marc Guggenhein e Salvador Larroca. Acho o mês mais fraco, pois a trama não foi tão interessante e contou com a presença de Jackpot, uma personagem que pode ser Mary Jane com poderes, o que tornaria esse Brand New Day mais tosco. No entanto, a última parte da história é muito boa e deixa uma ponta bastante interessante. E apesar de eu não ser um grande fã da arte do Larroca, nessa história ele se superou, e a arte está muito boa. Provavelmente por causa da troca do colorista, espero que ele continue trabalhando com esse Jason Jeith no futuro.

O terceiro arco, que eu terminei de ler recentemente, é o que eu estava mais esperando. Isso porque o roteiro é de Bob Gale, um dos roteiristas da trilogia De Volta Para O Futuro. Convenhamos, é uma referência e tanto. Felizmente ele correspondeu e fez uma bela história, que lembra o período clássico do Aranha. A arte de Phil Jimenez, no entanto, poderia ser melhor, e atrapalha um pouco a apreciação. Ele se sai bem desenhando quadros do Aranha em ação, mas nem tanto com os rostos dos personagens, além da sua narrativa ser um pouco confusa.
A quarta história já começou nos EUA, mas eu ainda não estou acompanhando. Ela é escrita por Zeb Wells e desenhada por Chris Bachalo. Pelo que li até agora eu posso dizer que, embora ainda não tenha saído nenhuma história antológica disso tudo, estou gostando mais das histórias agora do que a maioria do que saiu nos últimos 10 anos. A Marvel fez a coisa certa em dar esse merecido recomeço ao herói e espero que não volte atrás. E os fãs chorões que continuem chorando. No mais, Ultimate Spider-Man continua sendo o melhor Aranha disponível. Eu recomendo Brand New Day, mas se for escolher apenas um Aranha, leia Ultimate.