Indo onde muitos já estiveram antes

•maio 14, 2009 • 3 Comentários

Neste fim de semana fui assistir o Reboot de Star Trek. Belo filme. Vale a pena assistir, sem dúvida alguma. Como eu já andei dizendo por aí, tenho alguns probleminhas com ele, mas nada que realmente estrague (a não ser que você esteja disposto a não gostar, como parece acontecer com relação a certas franquias).

No entanto, ao ler esta matéria do Newsarama sobre o que seria legal ver nas sequências, comecei a pensar em algo: porquê deveríamos ver as mesmas coisas de novo e de novo? Eu já venho meio incomodado com essa mania de remakes que anda assolando o cinema e a TV há algum tempo, e ler a matéria trouxe isso à tona. Não vejo porque fazer um filme com um novo Khan, por exemplo. O original já é excelente, e a atuação do saudoso Ricardo Montalban é memorável. Não há porquê fazer de novo. Elementos antigos podem e devem ser revisitados, mas recontar histórias passadas pra mim é besteira. Ao meu ver, esse reboot foi interessante para poder contar novas histórias de Star Trek, e não para vermos as histórias que já foram contadas com mais humor e o estilo “descolado” de J. J. Abrams. E embora a matéria reconheça que a renovada franquia deve procurar novo material, ela propõe um caso justamente do contrário.

O senhor de novo?

Um bom exemplo do que estou dizendo até aqui é a linha Ultimate da Marvel Comics. Ela foi lançada há quase dez anos já, e é basicamente a mesmíssima coisa de Star Trek: um reboot onde é tudo igual, só que diferente. Os melhores personagens saídos desse reboot foram aqueles que mais longe foram dos originais, com a única exceção sendo o Homem-Aranha (apenas pelo fato de que ele já havia sido muito descaracterizado no universo original).

É verdade que por esse raciocínio não haveria porque fazer novos filmes do Batman, por exemplo. Afinal, antes de ver Heath Ledger como Coringa muita gente acreditava que Jack Nicholson não poderia ser superado no papel. Mas isso me leva ao meu verdadeiro ponto: eu acho que deveríamos parar de usar sempre os mesmos personagens. No caso do Coringa, como ele não tem realmente uma “identidade secreta” definida, seria interessante apresentar versões diferentes do mesmo personagem (algo que eu gostaria de ver Chris Nolan fazer caso decida usar o personagem de novo, já que será triste ver alguém tentando emular Heath Ledger). Já no caso do Batman, enquanto o conceito é muito legal, se vamos ver uma série contínua sobre ele, será que ele deveria ser sempre Bruce Wayne? Porque somos tão apegados a esses nomes? Porque as aventuras de Star Trek só são legais se forem sobre Kirk & cia (sei que isso é discutível, mas se não fosse o caso porque não usar personagens novos com essa abordagem atual?) Porque o Homem-Aranha deve ser sempre Peter Parker, o Superman Clark Kent e assim por diante?

Por mais que eu goste de todos esses personagens, acho que devemos parar de usá-los como muletas e criar coisas novas para seguí-los. A DC Comics havia feito algo legal nesse sentido com o Flash. Barry Allen havia morrido e foi substituído pelo sobrinho Wally West, que era seu sidekick. Por uns 20 anos Wally ocupou o lugar de Flash principal da casa, mantendo vivo o legado de Barry com sua própria personalidade e histórias diferentes. No entanto, recentemente o atual editor da DC (um belo de um babaca), decretou que Barry devia voltar. E assim foi.

Barry Allen entra, a vergonha na cara sai.

A principal razão de propriedades intelectuais caírem em domínio público é estimular a criatividade, fazendo com que a cultura avance mais rápido e não dependamos apenas das mesmas coisas para sempre. Os períodos enormes que estão em vigor hoje em dia para que isso aconteça (graças a Lobbies de grandes indústrias do entretenimento) alimenta essa nossa dependência dos nomes de sempre, e eu acredito que no final das contas isso gera um ciclo constante de retrocessos. Eu que não quero ver daqui a alguns anos um remake de Star Wars, com novas pessoas no papel de Luke, Leia e Han. Sai pra lá!

Mas é claro que sei que sou voto vencido, então eu gostaria de pelo menos ver um meio-termo. Apesar de preferir que as indústrias vão atrás de novos personagens e continuem construindo as histórias que contam ao invés de ficar num loop eterno, eu estou disposto a ver os mesmos personagens se pelo menos tivermos histórias diferentes. Ou seja: nada de Khan, a não ser que ele seja totalmente diferente. E de maneira alguma quero ver Chris Pine gritando “KHAAAAAAAANNNNNN”. Só o William Shatner e o George Costanza podem. Tá bom assim?

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Eu estava lá!

•maio 12, 2009 • Deixe um comentário

Ah sim! Fui no show do Death Cab, quinta passada. Bom demais.

Esse foi um belo momento. Infelizmente não encontrei vídeos de Transatlanticism, que fechou o set. Foi sensacional.

Primeiro ano: fim

•maio 12, 2009 • Deixe um comentário

Cheguei ao fim de meu primeiro ano aqui. Não realmente um ano do calendário, mas meu primeiro ano escolar. Sim, o semestre acaba bem cedo aqui.

Pensei em fazer um balanço, mas acho que seria perda de tempo. Meu progresso acadêmico tem sido bom. Boas notas, etc. Profissionalmente não posso reclamar também. O departamento parece estar satisfeito com meu serviço. Socialmente minha vida anda uma lástima, mas a gente vai levando. Eu já devia estar acostumado.

O que importa é o filme. Terminei o terceiro tratamento do roteiro há algumas semanas. Estou tirando umas férias dele, mexendo em outras coisas (e outras histórias) enquanto vou pensando no que quero fazer na próxima versão. Eu acho que estou bem perto do que quero com ele, pelo menos quanto aos fatos (tirando uma ou outra coisa, claro). Ainda preciso moldar mais as descrições e coisas do tipo que compõe o tom do filme. Eu sempre fui ensinado a colocar apenas diálogo e direções de palco no roteiro. É assim que dizem ser o certo, mas estou vendo que é uma bela furada. Deve funcionar para certos tipos de histórias, mas com o que eu quero fazer, estou vendo que preciso dar mais formas de quem estiver lendo entender o que está na minha cabeça.

De qualquer forma, a boa notícia é que, pelo menos na minha cabeça, o filme vem ficando mais definido do que nunca. Assisti alguns filmes recentemente que se aproximam do tom que eu quero, venho pesquisando bastante e acho que o resultado final pode ficar muito legal.

Se tudo der certo, farei algumas coisas interessantes agora no verão. Se der errado, será o verão mais chato de todos os tempos. Mais notícias quando elas existirem.

Harry Potter indie

•abril 5, 2009 • 3 Comentários

Essa semana, depois de ouvir falar muito a respeito mas nunca ter ido atrás, li o primeiro volume de Scott Pilgrim.

Sim, eu já havia ouvido esse nome aqui e ali. Sabia que era uma HQ queridinha do pessoal da cena de quadrinhos indies. O problema é que tal cena inexiste em Orlando (ou se existe faz de tudo pra me evitar – ambas as alternativas são extremamente plausíveis). Eu já havia até dado uma folheada em um dos volumes desta saga, e me lembro de ter torcido o nariz pro traço totalmente calcado no mangá do autor.

Mas o tempo passa, e uma série de tirinhas do Comic Book Critics me lembrou que existia o tal Scott Pilgrim. E eu na minha solidão e no meu desespero para ler algo de novo com que eu pudesse me identificar minimamente, resolvi dar uma chance. E só me arrependi uma coisa: de ter torcido o nariz dois anos atrás.

Acredito que dizer que este é um “Harry Potter indie” é uma boa maneira de começar a explicar qual é a da HQ. Assim como Harry Potter, Scott Pilgrim conta a história de um garoto que junto com seus amigos passa por diversas aventuras. E também é uma série de livros que saem mais ou menos uma vez por ano e que os fãs ficam esperando ansiosamente antes de ler. Obviamente, há uma diferença muito grande na escala, pois além de ser uma HQ, é uma HQ independente. É a minoria da minoria, enfim. Mas é o mesmo princípio.

Mas o que faz de SP tão indie e legal? Vejamos:

-É uma HQ! Todos sabem que HQ não é “literatura de verdade”. Ou seja, é literatura indie!

-Ele tem 23 anos e é desempregado. Todos sabem que não há nada mais indie do que ser um desempregado convicto depois dos 20 anos.

-Ele é canadense (só de ser canadense/morar no Canadá uma pessoa ganha muitos pontos indies)!

-Ele toca baixo em uma banda.

-Essa banda se chama Sex Bob-Omb!!!

-Ele tem uma namorada chinesa de 17 anos chamada Knives Chau.

-Ele luta kung-fu, ou alguma variação bizarra disso.

-Ele usa uma jaqueta da Academia Para Jovens Superdotados do Professor Xavier.

É claro que essas características são muito legais e tal, mas apenas isso não faria da HQ boa. Mas o autor, Bryan Lee O’Maley, cria uma trama muito legal que mistura passagens sinceras e bonitas com momentos absurdos e engraçados. E a passagem de um pro outro é feita com muita maestria, de modo que você mal percebe. Não parece algo fora de lugar, em nenhum momento. Além disso, os personagens são todos muito bem criados, tanto pelas atitudes quanto pelos pequenos detalhes que os formam. Depois de terminar de ler o primeiro volume, eu já sentia que os conhecia. E gosto de todos (o que é raro). E o traço “manganizado” que tanto me incomodava acaba parecendo bem natural para a história depois de algumas páginas. Realmente fica até difícil imaginar um outro estilo para a história agora.

Recomendo a todos que queiram ler algo divertido e original. Um filme já está sendo feito (assim como com Harry Potter), com Michael Cera no papel principal. Acho uma escolha equivocada. Gosto de Cera, mas o acho paspalho demais. Acho que Scott tem que ser um pouco paspalho, mas não tanto assim.

O volume 5 saiu em fevereiro deste ano. O próximo será o último, ao que parece. Eu vou correr atrás dos outros assim que puder.

EDIT: E além de tudo, o autor criou mixtapes geniais para cada volume. Saquem só as três primeiras.

NP: Beirut – La Llorona

Novo layout

•abril 4, 2009 • 2 Comentários

Como não dá pra mexer muito no layout de blogs aqui no WordPress, nem foi tão complicado assim arrumar um novo pra cá, peguei um dos prontos que eles têm e taquei uma foto que tava no meu computador há uma cara e que ia fazer parte de um site que nunca existiu. E agora coloquei o widget do twitter aí do lado. Pena que não está funcionando.

Em outras notícias, estou mais perto de terminar o terceiro tratamento (ou rascunho, como chamamos por aqui) do meu roteiro. Tem data pra entregar, uma lástima. Mas vamos lá.

Ah sim, já tenho minha lista premliminar das melhores músicas (que eu ouvi) de 2008. E só levou quatro meses!

NP: Neil Young & Crazy Horse – Cowgirl in the Sand (live at the Filmore East)

Eu no twitter

•abril 3, 2009 • 1 Comentário

Agora que me dei conta de que não deixei um link pro meu twitter aqui. Eu criei minha conta há uma cara (quase dois anos já), mas na época não servia pra nada, já que ninguém que eu conhecia participava da brincadeira. Aí ano passado algumas pessoas que eu conhecia, mais presentes na internet, começaram a entrar e o negócio começou a ter mais graça. Agora já estão chegando meus conhecidos não tão geeks, além de vários tipos de celebridades. Estou prevendo que lá pelo ano que vem minha mãe vai acabar me perguntando “você já sabe desse negócio twitter que tão usando por aí?”, e vai criar uma conta (desconfiado da integração tecnológica que sou, não faço questão de espalhar essas coisas para todos).

Enfim, se alguém que ainda lê isto aqui quiser me seguir no twitter, eu sou o mrcsh. Como eu ando postando pouco por aqui, este post deve ficar em evidência por um tempo. Um dia vou mexer no layout e aproveito pra colocar um link decente aí do lado. Ah, e sim, meus updates são protegidos porque eu sou fechado mesmo nesta maravilhosa época conectada onde todos se relacionam com todos. Mas se você freqüenta este blog eu imagino que eu devo te conhecer, e se não for o caso é só apelar para meu ego e dizer que você lê o Psychocandy que eu te libero.

E se você ainda se pergunta porque você deveria estar no twitter, meu amigo Mafra explica melhor do que eu poderia (e mesmo se pudesse não teria saco de fazê-lo).

Para saber mais

•março 23, 2009 • Deixe um comentário

Acabei de ler esta coletânea do American Splendor, que eu tinha compado na minha visita a NY (mais de um mês atrás).

E que é na verdade duas coletâneas lançadas antes coladas juntas pra pegar carona no semi-sucesso do filme. É um bom ponto de partida para quem só viu o filme e se interessou pelo trabalho do cara. No Brasil eu tinha lido a coletânea que a Conrad lançou só com suas histórias ilustradas pelo Bob Crumb. É bem bacana e tal, mas é apenas um pedaço da obra do Harvey Pekar. Parece que o tipo de história que ele escreve muda de acordo com quem está desenhando (ou melhor, que ele escolhe artistas diferentes para histórias com tons diferentes). E embora o Crumb seja provavelmente o meu artista de American Splendor favorito até agora, as histórias que eu mais gostei não foram desenhadas por ele.

E eu fiquei impressionado com o quanto eu me identifiquei com o sr. Pekar ao ler as histórias. O filme dá uma idéia de quem ele é, mas lendo esse volume eu entendi muito mais, e passei a ser realmente um fã desse cara. Essas histórias que me chamaram mais a atenção são ainda mais pessoais e tocam em assuntos que me são muito importantes, como a aversão a diversas pessoas ao mesmo tempo em que ele sente falta de ter mais pessoas consigo (fruto de um misto de complexo de inferioridade e superioridade que também me aflige), a preocupação com o que se fazer da vida, a nescessidade de criar e a solidão, que eu tenho experimentado tão de perto ultimamente.

American Splendor revela muito de seu criador, e por consequência, de quem está lendo. E pra mim essa é uma das grandes coisas (notem que não é a única) que a arte pode realmente fazer.

NP: The Beatles – You Really Got A Hold On Me