Mudar de idéia

Quando os Los Hermanos (a.k.a. Loser Manos) apareceram, lá pelos idos de 1999, com o hit “Anna Julia”, eu achei a música bacana. Eu fiquei conhecendo a música um pouco antes dela estourar em praticamente todo lugar, desde o Domingão do Faustão até o Programa Legal do Gugu. Mostrei para alguns amigos a musiquinha legal daquela banda ainda com cara de independente e tal. Aí veio o sucesso, e comecei a achar a música chatinha. Não se trata de síndrome de indie, é que a música nunca tinha sido tão boa a ponto de resistir a mil audições diárias. Poucas são. Tenha dó, né?

Contudo, nisso passou um tempo, saiu o segundo disco deles e algumas pessoas começaram a me dizer que os Hermanos não eram só “Anna Julia”, que as outras músicas eram diferentes e tal. Fui conferir, e realmente eram diferentes. Eram chatas pra caralho! Que merda é essa de pintar meu nariz? Vá ver se estou na esquina! Me irritava muito essa postura “nova MPB” da banda, que possivelmente nesse Bloco do Eu Sozinho esteve mais forte do que nunca.

Quando chegou o terceiro disco, Ventura, me animei um pouco. “Cara Estranho” é uma música muito boa, assim como “O Vencedor”. Mesmo assim, fui ouvir o disco inteiro e não rolou. Muito saco cheio em outras músicas. A mesma coisa vale para 4, especialmente nas músicas de Rodrigo Amarante (que me desculpem os fãs do cara).

No entanto, outro dia comprei um disco dos Los Hermanos. A tal coletânea Perfil. Por R$ 7,90, valeu bastante a pena. Tinha todas as músicas deles que eu gostava, algumas que eu não gostava e mais outras que eu não conhecia. Comprei e ouvi. E gostei. Não de tudo, claro. Valeu mesmo a pena, dei até chance para algumas músicas que não tinham me agradado no começo dos anos 2000, como “Quem Sabe” e “Primavera”. Até achei algum valor em “Todo Carnaval Tem Seu Fim” (apesar de continuar achando o refrão medonho). E hoje posso dizer que não sou fã da banda e nunca serei, mas até acho alguma coisa legal.

Muitas pessoas me acham cabeça-dura por ter opiniões fortes, e agem como se eu fosse totalmente fechado àquilo que os outros falam. Isso está bem longe da verdade. O que acontece é que eu penso muito para formar minhas opiniões, por isso elas são difíceis de serem mudadas, o que é completamente diferente. Eu ouço tudo que os outros falam, mas o que posso fazer se muitas vezes não concordo?

Talvez a parte mais fácil de exemplificar como posso mudar de idéia e admitir facilmente que estava errado seja na música. Existem diversos artistas que a princípio eu odiava (a ponto de falar “É UMA MERDA”), até que em certo ponto passei a apreciar. De alguns eu até virei fã. Pensando nisso, uma listinha de bandas e artistas que um dia foram xingadas por mim mas que hoje fazem parte da minha library do iTunes:

5) Coldplay
4) Nine Inch Nails
3) Rolling Stones
2) David Bowie
1) Bob Dylan

Existem diversas outras bandas que eu odiava e passei a gostar de uma ou outra música com o tempo, como KoRn, Blink 182, Marilyn Manson, etc… Mas esses casos se tratam de apenas algumas músicas mesmo, eu continuo não gostando da banda no geral (quanto ao Manson eu sou indiferente).

NP: Judy and Mary – 自転車

~ por mrcsh em Junho 13, 2008.

Uma resposta to “Mudar de idéia”

  1. Temos um comportamento semelhante nesse sentido. Eu não só ouço tudo, como gosto muito de fazê-lo. Para poder de fato definir o que gosto e o que não gosto. É uma cobrança pessoal mesmo. Às vezes ouço discografias quase inteiras, mesmo que disco após disco continue não gostando, só pra poder saber de fato se não gosto.

    E mais! Sempre penso que isso vale a pena porque vai que há uma música que eu gostarei muito? E eu estou sempre atrás de uma nova música favorita.

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