Ele também!
Kevin Smith foi um dos diretores que me fizeram querer fazer cinema. Eu poderia dizer que resolvi fazer cinema por causa de inúmeras influências mais pedantes e bem aceitas pelas mentes intelectuais, mas a verdade é que Kevin Smith, junto com alguns outros diretores, fez os filmes que me fizeram pensar “eu quero fazer isso” quando eu os assisti. E mais do que isso: ele continua sendo uma forte influência para mim, ao passo que a maioria dos outros, não.
Ao entrar na faculdade, passei a conhecer coisas novas e a dar mais valor a alguma coisas que eu já conhecia. Não só por estar estudando cinema, mas por estar disposto a pensar nisso e também pelas mudanças que acompanham a simples passagem do tempo. A maioria dos diretores que eu idolatrava quando entrei na faculdade não ocupam mais a mesma posição no meu conceito. Não que eu tenha passado a detesta-los e aos seus filmes. Eu só não os acho tão bons quanto já achei. (idéia incidental – fazer um top 5 de diretores e/ou filmes de quando eu entrei na faculdade e outro de hoje, para comparar)

Mas Kevin Smith continua. Eu continuo gostando muito de seus filmes. Eu não citaria seu nome como um dos melhores diretores de todos os tempos, isso é certo. Mas com certeza ele é um dos meus favoritos, mesmo eu tendo muitos favoritos. Não deixarei de ver um filme dele, mesmo que pareça ser ruim. E continuo revendo seus filmes.Para mim, além de ser um cara que faz filmes muito legais, Kevin Smith representa um tipo de ideal. Um cara que não tinha perspectivas de ser nada na vida, fã de quadrinhos e cinema, vende tudo que tem de legal e se enche de dívidas pra fazer um filme e dá certo. E com isso consegue chegar na posição confortável de poder dirigir os filmes que quer. Ele pode não fazer os maiores sucessos da temporada, mas dirige o que quer e isso é o mais importante. E além disso, escreve histórias em quadrinhos de vez em quando, de seus próprios personagens, da Marvel e da DC. Ou seja, ele é mais ou menos o que eu queria ser (o que não quer dizer que quero fazer filmes como os dele, exatamente).
E é por isso que hoje eu fiquei surpreso ao ler seu blog, explicando como que Seth Rogen veio a ser escalado para o papel principal de seu novo filme, Zack and Miri Make a Porn. Basicamente, Smith tinha a idéia para o filme na cabeça, mas só começou a escrevê-lo depois de ter assistido O Virgem de 40 Anos e ficado impressionando com a atuação de Rogen. Assim, ele escreveu o papel para Seth Rogen, com o ator em mente. Enquanto ele escrevia o roteiro, o jovem ator se tornou uma sensação, emplacando não só O Virgem…, como também Ligeiramente Grávidos e Superbad (o melhor dos três), como ator e roteirista.
Como esse sucesso todo de Rogen, Kevin Smith passou um bom tempo (uns cinco meses) pensando que o cara nunca ia aceitar fazer agora que virou um astro, que ele provavelmente tinha odiado o roteiro e etc. E foi ssio que me surpreendeu. Eu ver um cara que está numa posição na qual eu adoraria estar passando pelas mesmas coisas que eu passo. O melhor de tudo foi ler o agradecimento que ele deixou à sua esposa:
“Thanks, Jen – for putting up with five months of me laying on the bed, in a near-fetal position, moaning ‘If Seth Rogen doesn’t do this flick, I’m gonna make a real porno.’”
Por isso, posso inferir duas coisas: 1) por mais sucesso que eu possa vir a ter, minha insegurança provavelmente nunca irá embora por completo; e 2) isso não é algo tão ruim assim. Claro que a primeira conclusão não é tão boa, mas a segunda compensa de sobra. Por algum motivo, ficar sabendo disso me deu mais confiança, coisa que eu estava precisando hoje. Então acho que eu devo deixar aqui:
Obrigado, Kevin Smith. Por compartilhar sua insegurança exagerada com pessoas que você não conhece e nem faz idéia de que existem.
NP: Kimya Dawson – The Competition







Acho que todos nós precisamos de alguém como exemplo em nossas profissões, alguém com quem nos identificamos e que nos faz querer chegar lá.
No meu caso foi o Spielberg, que se encaixa com tudo que você disse sobre o Smith.
O Terry Moore tb:
“Finished writing the first issue of Runaways and sent it off. Waiting to hear back on that. In my most dreadful imagination I get back an email that says “Terry, Read the script. Your services are no longer required.” This is why creative people drink.”