Generations

Ontem fui na Fest Comix pela segunda vez. Tinha ido sozinho na sexta, mas voltei para acompanhar o Mafra e ver se haviam coisas
diferentes de sexta (e haviam). Enfim, entramos, ficamos um tempo e saímos, fomos almoçar. Durante o almoço uma amiga me liga dizendo que estava indo pra lá com mais umas pessoas. Como eu ainda estava do lado, disse que iria lá pra frente encontrá-los quando eles saíssem, já que o ingresso do Fest Comix não dá direito a entrar depois de ter saído do evento.

Como o Mafra tinha coisas pra fazer depois, disse pra ele ir e eu ficaria por lá e voltaria sozinho depois. E assim fiquei esperando meus amigos na porta do centro de eventos do Colégio São Luiz. Comecei a ler uma das HQs que eu havia comprado. Passando um tempo, um garoto de uns 10 anos começou a olhar o que eu estava lendo. E começamos a conversar, ele queria saber o que eu estava lendo e me mostrou todas as HQs que ele havia comprado. Me contou orgulhoso que comprou 12 revistas a um real cada e que agora ia ter um monte de coisas para ler. Muitas das HQs que ele me mostrou eu já havia lido há anos. Eu disse isso pra ele e ele ficou surpreso e perguntou se então fazia um bom tempo que eu colecionava. Disse que sim e ele me contou que havia começado há pouco tempo. Me contou da primeira HQ que ganhou, contando toda a história do Surfista Prateado (aliás, uma ótima escolha, ainda que inusitada, para começar). Junto com o garoto estava sua irmã de 12 anos. Ela não falava tanto, mas era igualmente simpática.

Ver aquele menino jovem empolgado com essas coisas me fez bem. Dá uma sensação de continuidade. Afinal, como comentou o Mafra quando eu contei a história para ele, esse garoto é a nova geração de leitores. E era bem nisso que eu estava pensando. Eu geralmente não gosto de pensar em termos de “nova geração”. Sempre fico com a sensação de estar ficando pra trás e isso acaba levando a um monte de outros pensamentos que não me fazem bem. Mas dessa vez foi diferente. Saber que alguém ainda estará gostando das mesmas coisas que eu gosto, fazendo as mesmas coisas que eu faço depois que eu não puder mais fazê-las me deu uma sensação muito reconfortante. Deve ser por isso que as pessoas têm filhos.

Gostaria de ter pego o telefone ou algum tipo de contato deles. Eu há tempos venho pensando em reduzir meu acervo de quadrinhos, me livrando da maioria das revistas mensais e mantendo apenas encadernados e histórias muito essenciais. Se eu pudesse deixar parte disso nas mãos de alguém que está começando a entrar nesse mundo seria um grande incentivo ao meu plano. Mas é claro que eu não tenho coragem de pedir o telefone de crianças dessa idade. Os pais iriam mandar me matar, o que é compreensível (o que não quer dizer que esteja absolutamente certo).

NP: The Postal Service – We Will Become Silhouettes
(we’ll become silhouettes when our bodies finally go)

~ por mrcsh em Julho 2, 2007.

Uma resposta to “Generations”

  1. É interessante, porque eu não gosto de crianças em geral. Mas de vez em quando eu encontro crianças com as quais eu gosto muito de passar um tempo conversando. Geralmente aquelas nas quais eu vejo algo de mim.

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